Ética (do grego ethos, que significa modo de ser, caráter, comportamento) é o ramo da filosofia que busca estudar e indicar o melhor modo de viver no cotidiano e na sociedade. Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos…
1- Um trem em disparada irá atingir 5 trabalhadores desprevenidos nos trilhos. Há apenas uma linha. O trem pode ser parado por algum objeto pesado jogado em sua frente. Um homem com uma mochila muito grande está ao lado da ferrovia. Se você empurrá-lo para a linha, o trem vai parar, salvando 5 pessoas, mas liquidando uma. Você empurraria o homem da michela para linha?
2- Um amigo quer lhe contar um segredo e pede que você prometa não contar a ninguém. Você dá sua palavra. Ele conta que atropelou um pedestre e, por isso, vai se refugiar na casa de uma prima. Quando a polícia o procura querendo saber do amigo, o que você faz?
Participem, responda no local que está escrito “Perguntas de Filosofia”, a sua direita perto da foto. Fale o que faria nessas situações, justifique, deixe seu argumento. Coloque seu nome.
Aristóteles defendia a igualdade social de todos os homens? Explique?
Não, Aristóteles defendia a Aristocracia, o governo dos “melhores”, assim entendidos os intelectualmente mais dotados e mais cultivados. Os clássicos tem sido chamados de “direitistas” (mesmo tendo vivido tão antes da Revolução Francesa), sobretudo Platão, mas este ponto de vista é controverso. De toda forma, o termo “igualdade social” não tem como se aplicar a Aristóteles. Os “iguais”, os “pares”, ou “homoioi” no mundo grego, aqueles que debatiam democraticamente na ágora, eram os homens de sangue heleno, excluindo-se desse regime as mulheres, os estrangeiros e os escravos.“Faz promessas com a intenção de as quebrares, se isso for necessário para salvar um amigo.” Consideras esta máxima aceitável? Porquê?
Uma das personagens sugere que o Imperativo Categórico é uma pura formalidade. Concordas? Porquê?Imperativo categórico
“São leis praticas que valem incondicionalmente para o ser racional […] só os imperativos categóricos são leis morais. Eles são universais e necessários, mas não como o são as leis naturais[…] em alemão, o ser necessário em sentido naturalista se dizmüssen, ao passo que a necessidade ou dever moral se diz sollen.” (REALE e ANTISERI 1990, 904)
A essência do imperativo categórico
O Principio das leis morais não podem ser o conteúdo, mas sim forma. Isso está relacionado não com o Ato, mas com a intenção. “é o inverso daquilo que acontece com as leis do Estado, que podem obrigar fazer isto ou aquilo,mas não podem obrigar que seja feito com determinada intenção. […] a nossa moralidade não depende das coisas que queremos, mas sim dos princípios pelo qual as queremos.” (REALE e ANTISERI 1990, 906)
“a essencia do imperativo categórico não consiste em ordenar aquilo que se deve querer, mas sim como se deve querer aquilo que queremos. Portanto, a moralidade não consiste naquilo que se faz, mas no como se faz aquilo que se faz.” (REALE e ANTISERI 1990, 907)
As formulas do imperativo categorico
O imperativo categorigo pode ter 3 formulas, sendo elas:
1.“O imperativo categorico não pode ser senão um […] ou seja, que tua maxima (subjetiva) se torne lei universal(objetiva)” (REALE e ANTISERI 1990, 907)
2.“age de modo de considerar a humanidade, seja na tua pessoa, seja na pessoa de qualquer outro, sempre também como objetivo e nunca como simples meio” Baseada no elevado conceito que posiciona o homem não como uma coisa entre outras coisas, mas acima de tudo […] essa formulação pressupõe o principio “a natureza racional existe como fim em si” (REALE e ANTISERI 1990, 907)
3.“ age de modo que a vontade, com a sua máxima, possa ser considerada como universalmente legisladora em relação a si mesma” […] enquanto a primeira destaca a Lei, a segunda destaca mais a vontade, como que dizendo que nós não estamos somente submetidos a uma lei, mas que essa lei também e fruto da nossa própria racionalidade e, portanto, depende de nós: somos nós, com a nossa vontade e racionalidade, que damos as leis a nós mesmos.“ (REALE e ANTISERI 1990, 907)
Sobre a responsabilidade de construção de nosso próprio caráter
Segundo Aristóteles, os homens só se tornam justos (ou virtuosos, pois a justiça é a virtude que abarca todas as outras), através do hábito e da prática de atos justos. Mas para se praticar atos justos, é estritamente necessário um mestre (um tipo de treinador), que já tenha adquirido uma disposição de caráter permanente (hexis), e necessariamente virtuosa, para que possa ensinar, e despertar a virtude nos homens que se submetem (ou são submetidos) à tal educação. Mas assim como atletas olímpicos, que só conseguem se sair vitoriosos porque treinaram voluntariamente e habitualmente, para se adquirir a “hexis” virtuosa, os homens devem querer agir e praticar atos voluntários, pois apenas o ensino do mestre, sem a prática (e a vontade) do estudante, não lhes garante a aprendizagem das virtudes. “(…)mas porque os atos que estão de acordo com as virtudes tenham determinado caráter, não se segue que sejam praticados de maneira justa ou temperante. Também é mister que o agente se encontre em determinada condição ao praticá-los: em primeiro lugar deve ter conhecimento do que faz; em segundo, deve escolher os atos, e escolhê-los por eles mesmos; e em terceiro, sua ação deve proceder de um caráter firme e imutável(…), aquelas mesmas que resultam da prática amiudada de atos justos e temperantes – são, numa palavra, tudo” . Logo, os próprios homens são co-responsáveis pela disposição de caráter que adquiriram através da práxis.
O eqüitativo como superior ao justo
Em se tratando de juízes, que julgam sobre atos ocorridos na polis, existem dois tipos de juízes: o justo e o eqüitativo. Mas dirá Aristóteles, que “Essas coisas não parecem ser absolutamente idênticas entre si (…); se, o justo e o eqüitativo são diferentes, um deles não é bom; e, se são ambos bons, têm de ser a mesma coisa (…). Em certo sentido, todas elas são corretas e não se opõem umas às outras; porque o eqüitativo, embora superior a uma espécie de justiça, é justo, e não é como coisa de classe diferente que é melhor do que o justo. A mesma coisa, pois, é justa e eqüitativa e, embora ambos sejam bons, o eqüitativo é superior”.
O Homem (juiz) justo, levará em conta, na hora do julgamento, apenas o crime cometido e a punição referente ao crime, como consta na legislação. Mas o eqüitativo não deixa de ser também justo (em se tratando da justiça absoluta), mas é superior que um certo tipo de justiça, a justiça legal, que possui erros e devem ser corrigidos. “E essa é a natureza do eqüitativo: uma correção da lei quando ela é deficiente em razão da sua universalidade”.
Através dessa correção da justiça falha, o eqüitativo leva em consideração, não só o que consta na lei, mas as circunstancias em que o crime foi cometido, levando em conta as condições objetivas que levaram o infrator a cometer o crime, evitando assim, que uma grande injustiça seja cometida. Um exemplo conflitante seria o de uma mãe que rouba um pão para evitar que o filho morra de fome, o justo a condenaria, mas certamente o eqüitativo a absolveria.
O homem: um animal naturalmente social
Aristóteles definirá o homem, como um animal naturalmente social, pois a finalidade do homem, é a finalidade política.
A natureza de uma coisa pode ser tanto seu início quanto seu fim, e em relação ao homem, sua natureza está inexoravelmente ligada ao seu fim (telos). Uma coisa atinge sua finalidade, sua excelência (areté), quando cumpre o papel que naturalmente deve cumprir, assim, como para uma faca realizar a sua natureza e atingir sua excelência, deve ser afiada e cortar, o homem deve atingir a vida social, pois sua finalidade é política. “ Agora é evidente que o homem, muito mais que a abelha ou outro animal gregário, é um animal social. Como costumamos dizer, a natureza nada faz sem um propósito, e o homem é o único entre os animais que tem o dom da fala(…)a fala tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo e portanto também, o justo e o injusto;”
Através desse dom (racional), o homem pode transmitir sentimentos morais que só ele possuí, e a comunidade de seres com tais sentimentos é a comunidade política. Um homem fora da cidade não tem papel, não possui utilidade, como uma peça de gamão, fora de seu tabuleiro.
